Ainda existe vida inteligente e criativa na internet brasileira e nem todos os videomakers (não curto essa expressão, mas…) brasileiros se resumem a falar suas opiniões em frente às câmeras – com ou sem roteiros. E os salvadores são Marcos Castro e Matheus Castro. Confesso que não pesquisei quem são as figuras, só vi que o Marcos é um comediante em pé.
E o que de tão interessante (em termos de videomakers brasileiros) esses dois fizeram? Letras gamísticas para músicas populares brasileira. Okay, isso não é grande novidade, mas é interessante ver brasileiros fazendo isso, e até bem. Abaixo estão os três vídeos que saíram por enquanto.
Até mais!
Aquarela:
Assim, sem você:
Amigos:
PS.: vendo esses vídeos me lembrei do “That man who throw the Tetris pieces”. De volta a 2007…
Troll Hunter é um filme norueguês onde um grupo de estudantes investiga misteriosas mortes de ursos no país. Em sua investigação descobrem que os caçadores licenciados não sabem quem está matando tais ursos, já que não é nenhum deles. Quando a investigação progride, eles chegam até um caçador que não possui vínculo algum com o grupo de caçadores e decidem investigá-lo. Após uma breve investigação e a convencerem o caçador a levá-los a uma de suas incursões, os jovens descobrem que não são ursos que ele caça.
Com um clima de mockmentary, mas sem nunca realmente parecer um documentário real (dado o tema fantasioso), Troll Hunter é um filme bem divertido. O enredo é bem simples, mas suficientemente bem escrito para não tornar o filme banal. Os efeitos são bons, com ótimas cenas envolvendo os trolls e sem câmeras frenéticas (alá Transformers ) e trêmulas (alá filme de guerra que quer passar noção de realidade) o tempo todo, o filme convence mais do que muito filme norte-americano onde os efeitos são a base do filme. Inclusive, em muitas cenas o CG é bom o bastante para não te dar a impressão de estar olhando para um CG – mais para um animatrônico. Outro aspecto interessante do filme é a fotografia. Com belas cenas no inverno da Noruega, a sensação de um lugar inóspito e até opressor é bem usado na trama.
Uma coisa, com tudo, deve ser mencionada: assista o filme sem levá-lo a sério. Isso é, esqueça a ideia do filme ser um mockmentary e divirta-se. Abaixo, o trailer oficial (eu confesso não ter visto o trailer e ter me surpreendido com os efeitos, então, fica a seu cargo):
P.S: Não é difícil achar o filme para download.
A partir de hoje, tentarei sempre postar alguma dica de algo interessante que tenha visto ao longo da semana, ou mesmo alguma coisa que já goste, mas não veja muitas pessoas conhecerem.
Para começar vou indicar uma série feita para a Internet: a Overanalyzers. Produzida em conjunto pelas produtoras Cinemassacre Productions (a mesma do AVGN ) e Cinevore Studios, a série conta com James Rolfe, Mike Matei, Matt Conant, Stephanie Yuhas e Lee Rosenfeldt – todos atuando, ajudando na produção, pesquisa e escrita dos episódios.
A mote da série é basicamente um grupo de cientistas que discutem o “indiscutível” de séries, filmes, animações, cultua popular. Sabem quando a gente fica conversando sobre algo, teorizando, inventando explicações para coisas que não precisam? É por esse caminho que a série conduz seus episódios – um grupo de cientistas discutem assuntos como: de onde vem o dinheiro das Tartarugas Ninjas, para onde vai a roupa do Batman e Robin quando eles descem para a Batcaverna (na série clássica).

Overanalyzers
A série possui episódios de curta duração, sem saturar o assunto proposto no episódio. Parte do que é feito ao longo dos episódios é planejado e roteirizado, mas existe um pouco de improviso, especialmente quando alguém fala algo inesperado ou sem sentido, para “atrapalhar ” os outros. Independente da improvisação ou não, existem boas sacadas nos argumentos dos personagens. Destaque também para a música de abertura.
Bons episódios da primeira temporada são: Kreng, Turtle’s Money, Batman e Robin. Vale a pena conferir. Em inglês.
Links:
Overanalyzers: http://cinemassacre.com/category/moviereviews/overanalyzers-moviereviews/
Cinemasscre Productions: http://cinemassacre.com/
Cinevore Studios: http://www.cinevore.com/
“(…)precisava tirar um acerto crítico e o máximo de dano. Senão, já era! Tava cheio de penalidade e o próximo turno era do NPC. Se bobear, morria todo mundo. Rolei e pá! Acerto crítico. Faltava rolar os danos. Joguei um por um. Tudo seis! Tinha que ver a cara do Mestre!”
Até uns 8 anos atrás, era bem comum ouvir esse tipo de diálogo praticamente em qualquer lugar com um grupo de nerds (ou aquilo que rotulam/rotulavam como nerd) adolescentes – mas não só. Típica conversa sem sentido de jogadores de RPG de mesa. Mas é cada vez mais raro ouvir isso. Ainda mais entre aqueles que eram meras crianças no início da última década. Prova disso é o fato que trabalhei por um ano em um colégio entre 2005 e 2006 e não ter visto se quer uma mera montagem de fichas, discussões sem propósito sobre regras na saída do colégio, ou se quer alguém comentando de uma sessão ou outra no laboratório de informática. Ou mendigando impressão de fichas – o que seria bem plausível.
Isso prova a morte do RPG? Claro que não. É um indício, contudo. Indício bem marcante se levarmos em consideração que, a mais ou menos 10 anos atrás, muita gente matava o tempo conversando sobre RPG nos intervalos, nas saídas do colégio, durante as aulas. Pense: qual foi a última vez que você ouviu algum diálogo bizarro na faculdade, ponto de ônibus, livraria, lanchonete, ou qualquer lugar público onde ‘subir de nível’, ‘ganhar xis pê’, ‘montar personagem’, ‘procurar item’ foram pronunciadas em um contexto que não envolvia os ditos MMOs? O seu grupo de RPG não conta. Especialmente se você tiver mais que 20 anos.
E os MMOs são justamente outra amostra da possível morte do RPG. É bom lembrarmos que nos últimos 10 anos a Internet de forma geral (incluo aqui também os jogos OnLine de consoles) alterou significativamente a forma de lazer das pessoas. Aqueles que antes poderiam jogar RPGs de mesa ao longo do fim de semana hoje ficam em casa jogando seu MMO favorito, assistindo seus filmes pirateados pela Internet, suas séries favoritas, seus animes favoritos, ficam em redes sociais.
Ao meu ver, o acesso facilitado a essas novas mídias colaborou, e muito, para o afastamento de possíveis jogadores de RPG dos livros e dados. Isso mostra que a maior parcela de jogadores o eram porque simplesmente não havia “coisa melhor para fazer” numa tediosa tarde de sábado.
E agora que existem coisas mais interessantes e menos trabalhosas do que uma sessão de RPG, os jogadores em potencial se afastam dessa mídia. Esse afastamento e a preferência por mídias mais ligeiras é reflexo do comportamento geral das pessoas dos anos 2000 para cá. Especialmente daquelas que cresceram com vídeo games modernos e Internet de alta velocidade. Porque o foco de atenção dessas pessoas é disperso e o poder de concentração em uma mesma atividade por horas é quase nula. Ler, imaginar e sentar por 4 horas numa mesa com outras pessoas é algo praticamente impossível.
Veja bem: o tipo de concentração e atenção exigido para se jogar 10h de WoW é muito diferente daquele exigido para uma sessão de jogos de mesa – e aqui já incluo CCGs, RPGs, tabuleiros. A concentração em um jogo digital é praticamente de apenas consumo de informação. Você realmente interpreta um personagem em um MMO? Sua decisão vai ser realmente crucial para o decorrer da estória e o universo de seu personagem? Além disso, todo o aspecto visual e auditivo já está criado. Você não precisa queimar neurônios usando sua imaginação.
Um outro aspecto que pode ser observado é que cada vez mais você pode se divertir dentro de casa sem precisar interagir de verdade com outras pessoas. É possível se distrair sem precisar de outras pessoas fisicamente presentes. Não estou dizendo que uma coisa tem substituído a outra de forma satisfatória, mas não é preciso mais telefonar para alguém para matar algumas horas numa tediosa tarde de feriado. E isso vai um pouco contra a cultura do RPG, que envolve a interação entre pessoas num mesmo espaço físico. Okay, é possível jogar RPG via IRC, e-mail, fórum. Mas não é a mesma coisa – especialmente com o fator ATENÇÂO mencionado acima.
Voltando ao aspecto da atenção: acredito ser muito improvável que um adolescente de hoje, que raramente está com sua atenção focada em uma única coisa, conseguirá ler um livro de regras básicas de RPG até o fim. Se você não tem alguém que leia o livro básico e ensine as regras para outras pessoas, fica impossível montar um grupo. Ainda que alguém leia, essa pessoa tem que explicar para as outras como funciona o básico. Elas têm que montar personagens, o que significa ler, pensar, tomar decisões e fazer conta. E tudo isso com alguma história por trás do personagem. E se bobear, é uma tarde toda só pra isso. “omfg!1!1!!11! tudo isso e ainda não vou jogar?!?!?!? só amanhã? morri! +_+” – pensa o adolescente com foco de atenção 0. Em outras palavras: se o básico já dá trabalho, imagina o resto. E quem leu o livro ainda tem que criar uma estória! Com início, meio, fim e possíveis estratégias para fugas do enredo!
Supondo que terminem seus personagens, supondo que comecem as sessões de jogo: essas pessoas ainda tem que prestar atenção, sem tagarelar, numa terceira pessoa, com o agravante de terem que mentalizar tudo o que essa pessoa está dizendo para em seguida tomarem alguma decisão. É muita coisa para pessoas que estão se acostumando a terem o foco em 4 coisas ao mesmo tempo – e de forma pouco proveitosa.
Claro, isso é uma mudança geral do comportamento e do ritmo de vida num todo. Tudo é mais corrido e há uma sobrecarga de informação que ao meu ver leva a uma atenção cada vez mais dispersa. E a sobrecarga de atividades faz com que sobre cada vez menos tempo para as pessoas se dedicarem a atividades como essa – especialmente para adultos. Tem-se que trabalhar, estudar, estudar, trabalhar, estudar, levar uma vida saudável, cuidar da aparência, ter uma vida social, cuidar da casa. Tudo isso em 168 horas semanais. E mesmo quando é possível jogar, é quase impossível manter uma continuidade. É claro que sabíamos (aqueles que foram jogadores na adolescência) que ficaria cada vez mais difícil jogarmos RPG, mas a esse ponto? Não só isso, mas nos tornamos (a princípio) pessoas diferentes ao longo dos anos, e o que antes era um hobby muito bacana e divertido hoje já não satisfaz muitos de nós. E assim, acabamos deixando de lado o RPG. E se os jogadores velhos estão “se aposentando” e a não há interesse da “molecada” para o RPG de mesa, não há renovação de público e consumidores.
Começo a pensar que o RPG é praticamente algo anacrônico, que não se encaixa mais com tanta perfeição dentro de um mundo cada vez mais acelerado, cada vez mais disperso, cada vez mais exaustante. Obviamente, não é apenas o mundo moderno o único “culpado”. O aspecto cultural tem um grande peso nisso. E o mercado também. Mas isso é papo para outra postagem.
Os jogos casuais, ao contrário do que a mídia não (e a pseudo) especializada tem feito entender, sempre existiram. Aliás, ao meu ver, nos primórdios dos jogos eletrônicos a maior parte deles eram causais. Veja bem, por mais desafiador que um jogo seja isso não o qualifica como não casual. Dessa forma, considero jogos do Atari como River Raid e Pitfall jogos causais. Mas porquê? Para isso, preciso dizer o que considero um jogo casual:
Considero jogos casuais aqueles em que existe um nível de desafio que pode atrair qualquer pessoa, desde crianças, aficionados e até pessoas que não possuem o hábito de jogar. Logo, o jogo causal deve ter um nível de desafio equilibrado e gradual, que seja interessante para qualquer uma dessas pessoas. Assim, no jogo casual você tem aquela pessoa que se diverte mesmo nunca tendo passado da segunda fase, até a pessoa que já descobriu um glitche na penúltima fase. Curiosamente, isso não significa que um jogador casual que goste muito desse jogo não possa vir a ter um desempenho melhor do que um jogador não-causal. E claro, no jogo casual o que importa é a diversão, logo, enredos, comandos complexos, uso de itens e coisa que o valha ficam totalmente em segundo plano. Mesmo assim, o público era bem restrito, já que computadores e video games eram artigos de luxo, especialmente por aqui.
Outro ponto que gostaria de destacar sobre o que considero um jogo casual é a forma como você “consome” o jogo. Não importa se é um puzzle como Angry Birds ou um jogo de tiro como Heavy Gunner: ambos podem ser interrompidos sem que isso afete seu desempenho, a estória não tem relevância direta para os acontecimentos e não existe um objetivo maior que é alcançado progressivamente (também conhecido como: salvar a princesa/mundo/universo).
Contudo, com a melhoria constante de hardware e a evolução no desenvolvimento de softwares, jogos mais complexos foram surgindo no decorrer dos últimos 30 anos, e os jogos não-casuais acabaram predominando entre os jogadores, especialmente quando computadores e consoles eram raramente usados por pessoas não “entendidas”. E acredito que foi isso que levou a surgir o pensamento de que “video game é coisa pra doido!” e o afastamento da maior parte das pessoas dos jogos eletrônicos, mesmo que jogos casuais – especialmente puzzles – continuaram existindo.
Recentemente, entretanto, com o surgimento e melhoria dos telefones móveis e outras plataformas móveis, um mercado antes relativamente restrito para jogadores casuais voltava a crescer. E ao longo dos últimos 3 anos, esse mercado estaria consolidado e lojas como a AppStore se tornariam um bom ponto de venda para jogos de celulares – inclusive levando ao surgimento de fenômenos como Angry Birds. Foi então que, repentinamente, a mídia comum colocou seus olhos nos jogos casuais e ficou espantada com o crescimento e surgimento desse tal fenômeno (Angry Birds).

Angry Birds
Angry Birds juntamente com outros jogos para celulares e tablets, fizeram com que a venda desses chegassem a superar a venda de jogos para consoles portáteis como PSP e NDS. Impressionante, não? Nem tanto. Cabe aqui um questionamento: PSP e NDS possuem um foco em um outro público que não “todo mundo”. Seu foco é em jogadores, que em sua maioria não são jogadores casuais e não compram jogos casuais para suas plataformas. Assim sendo, enquanto aquela pessoa com seu iPhone joga Angry Birds na sala do dentista, uma pessoa portando seu NDS joga Children of Mana (por exemplo). E aí vem outra pegunta: quantas pessoas você conhece que possuem celulares e quantas possuem um console portátil? Logo, não acho tão absurdo ou impressionante que os jogos para celulares, em seu total, tenham números maiores que os de consoles portáteis.
Mas voltemos, agora, para o fenômeno dos jogos casuais. Será que ele é tão recente assim? Quem se lembra daquela praga do BrickGame/Apollo? Até hoje tenho a musiquinha desses portáteis Xing-Lings grudados na minha cabeça.
Pra quem não se lembra, eles eram consoles (mais pra mini-games) portáteis contendo Tetris e “outros jogos” com variações de temas sobre peças de Tetris: jogos de shoot’em’up, corridas, “line breakout” e afins, tudo desenhado com peças de Tetris. Mas a maior parte das pessoas jogava mesmo era o Tetris. E muita, mas muitas pessoas tinham esses consolezinhos. Isso numa época em que fenômenos desse tipo eram geralmente criados no boca a boca, já que Xing-Lings não costumam anunciar em veículos de comunicação, né? Só que isso não tem importância. O que tem importância é que esses Xing-Lings foram os responsáveis por fazer o jogo Tetris ficar conhecido e popular aqui no Brasil, ao ponto de você ouvir senhoras e senhores dizerem “ah, eu gosto daquele joguinho das peças caindo!” .
Daí eu pergunto: será que jogos de quebra-cabeça (especialmente) e a casualidade deles apelar para praticamente todos os públicos é realmente algo tão espantoso assim? Eles possuem comandos simples, lógica simples e no caso do Angry Birds gráficos e mascotas engraçadinhas.
Acrescente um outro fator muito característico a nossa atual geração: “Não quero perder o bonde! Não quero ficar de fora dessa! Eu PRECISO me sentir parte disso!” . E aí você tem milhares (milhões?) de pessoas fazendo download do Angry Birds, jogando 15 minutos e depois nem mexendo mais no jogo, a não ser quando estão no dentista. E isso se não tiver wi-fi, porque aí Facebook é mais divertido. Fazem o download simplesmente para não se sentirem “de fora dessa”.
Outros fatores interessantes que raramente vejo mencionados, pra não dizer nunca, é que a produtora de Angry Birds é uma empresa com quase 10 anos de experiência em desenvolvimento de jogos para celulares. Logo, não é de se espantar que eles tenham conseguido produzir um jogo tão cativante. E que para produzir para Nintendo e Sony você precisa ter anos de experiência em desenvolvimento (de games) e ter garantia que você terá como pagar os licenciamentos de desenvolvedor para elas, pois não basta ter um PC ou Mac com uma IDE e (talvez) algumas bibliotecas extras para se criar jogos. Assim, não é de se espantar que surjam mais jogos e mais empresas trabalhando em jogos para celulares do que para NDS e PSP. E no caso de empresas com a Rovio, porque ela iria se arriscar num terreno desconhecido se ela possui um bom público (e crescente) na plataforma onde ela já trabalha?
O que tem-se que observar nesse “fenômeno cultural” dos jogos causais não é somente o número bonito de sete dígitos e todo mundo usando um mesmo jogo como símbolo de modernidade e de conectividade com as novas culturas. Jogos causais sempre existiram, sempre existirão, sempre terão um público fiel – e casualmente se tornarão em algum fenômeno (Tetris?). O que sempre variará, contudo, é quem e como essa pessoa interage com o jogo. Ou seja, eu jogarei Angry Birds (ou qualquer outro puzzle) até conseguir completar todas as fases com o mínimo possível de movimentos. O meu dentista pode também ter essa vontade. Mas é bem provável que 90% das pessoas que fazem download de jogos causais, especialmente este, o fazem simplesmente para não se sentirem de fora. Logo, Nintendo e Sony não precisam se preocupar com Angry Birds, pois a maioria dessa pessoas já não era seu público anteriormente. Elas talvez precisem se preocupar quando parte dos 10% restantes passarem a comprar um celular/tablet exclusivamente para jogos. Até lá, acho improvável que jogadores rotineiros abandonem consoles portáteis em troca de celulares. Acho pretensão demais perver o futuro de duas gigantes do mundo dos games simplesmente por causa do aumento de vendas de celulares e seus aplicativos., especialmente porque não sabemos o que seus consoles portáteis nos reservam para o futuro. Portanto, menos mídia, menos.
Até mais!
AVISO: Para ficar uma leitura mais leve, os títulos originais já serão colocados entre parênteses traduzidos, ao invés de ‘original + tradução’. Ex.: Um filme qualquer (Filme para a TV).
Uma coisa ninguém pode negar: as distribuidoras brasileiras de filmes são excelentes no quesito criação de títulos. É uma pena que elas utilizem esse dom “para o mal” e transformam simples traduções em uma invenção de nomes sem sentidos e tolos para os filmes (e às vezes seriados).
É engraçado quando você nota isso. Claro, para a maioria isso passa despercebido pela falta de domínio com a língua estrangeira na qual o filme foi originalmente feito – mas algumas traduções são tão horríveis que até quem não entende nada sabe que aquele título foi, no mínimo, inventado. E como a maior parte dos filmes estrangeiros comercializados no Brasil são de língua inglesa, fica bem óbvio para quem domina um mínimo perceber essas aberrações nos títulos.
Chego a pensar que existem padrões para a nomeação desses títulos de acordo com o gênero. Por exemplo, se é um filme romântico tem-se que necessariamente ter palavras que rementem ao amor. Filmes de ação, ao perigo, adrenalina, violência. Um drama, à dor, solidão, lição de vida. Comédia? “Trocadalhos”, qualquer coisa + “muito louca”, descontrole, falta de senso. Terror ou suspense coloque coisas referentes a demonologia (inferno, mau, diabo, etc), assassinos, maldições, morte, qualquer outra coisa desagradável (que não faça parecer um drama). É uma lógica bem simples, até: passe o gênero do filme pelo título – porque as pessoas são incapazes de compreender sobre o que é um filme pelo desenho da capa.
Querem exemplos? No ramo da comédia nós temos vários bons exemplos disso. Vamos pegar dois bons filmes de humor: Rebobine, por favor – Uma locadora muito louca (Seja gentil, rebobine). Aqui nós teríamos um ótimo título se não tivéssemos o “uma locadora muito louca” – apesar de não ser uma tradução direta, nos tempos do VHS era mais comum você ver o pedido “Rebobine, por favor” do que “Seja gentil, rebobine”. Logo, seria uma tradução fiel com o uso de um termo equivalente da nossa língua. Mas não! Eles tinham que colocar “uma locadora muito louca”, porque senão ninguém ia saber que era uma comédia. Ao menos o filme não chama “Rebobine, por favor – uma loucadora”.
Seguindo com os exemplos de comédia, temos Todo mundo quase morto (Shawn dos Mortos). Aqui temos um outro problema que não mencionei acima, mas que é extremamente comum nas traduções de títulos: a “chupinhação”. Pega-se um filme famoso no gênero e traduz um filme do mesmo gênero com algo parecido – Todo mundo em pànico = Todo mundo quase morto. E aqui temos um outro problema: Shawn of The Dead é uma comédia com base em filmes de zumbi, e logo como não se trata de um filme que faz chacota com o gênero, possui foco em um público que já gosta de filmes de zumbis. Assim, quando um fã lê “Shawn of The Dead” ele já se lembra do filme Dawn of The Dead, filme simbólico do gênero de zumbis. Provavelmente alguém que visse um filme chamado Shawn dos Mortos talvez pudesse fazer associação com “Madrugada dos Mortos” e aí assisti-lo. Mas com o nome Todo mundo quase morto você automaticamente associa com Todo mundo em pãnico e faz uma ligação com a típica comédia de mau gosto norte-americana, que envolve especialmente piadas sobre esperma, mijo, cocô, sexo imbecilizado e outras idiotices do gênero.
E o problema da invenção de títulos em comédia afeta filmes bem mais recentes também. E causa um efeito colateral curioso. Sabem aquele filme Se beber, não case (troacadalho)? Ele, na verdade, chama A Ressaca. E aí que temos um filme que chama A Ressaca, mas que na verdade chama Jacuzzi Máquina do Tempo. Logo, temos um filme que chama A Ressaca que não chama A Ressaca. O que nos leva a concluir que alguém poderia ter feito uma tradução direta, mas preferiu criar um título que explique o enredo: um grupo de amigos sai para uma viagem à Las Vegas afim de fazer uma despedida de solteiro para seu amigo. Já em Las Vegas, na noite da festa, eles enchem a cara e tomam um comprimido sem saber o que é com certeza. No dia seguinte acordam de ressaca e não lembram de nada.
Ironicamente, o título de A Ressaca em inglês explica parte do roteiro: amigos saem em uma viagem para tenta animar um amigo em comum que tentou se matar. Ao chegarem na tal cidade que costumavam ir quando jovens, veem que ela está em decadência. Mas para não perderem a viagem, resolvem encher a cara dentro da jacuzzi do hotel que estão. Só que trata-se de uma jacuzzi máquina do tempo que os transporta de volta aos anos 80 após derramarem uma das bebidas em seu console.
O filme que tem o título direto – e meio vago – em inglês, no Brasil tem um título que explica o enredo. O filme que explica em partes o enredo do filme em inglês, tem um título vago no Brasil. Espantoso.
E isso me lembra outra coisa: passe a ideia do filme e resuma o enredo através do título. Mais a frente voltarei nesse tópico. Continuemos com a “generização” dos títulos!
Terror é outra forma bem simples de exemplificar isso. Cabana do Inferno(Febre da Cabana), Cabana Maldita (A Cabana/Choupana), Joshua – O filho do Mal (Joshua), Colheita Maldita (Filhos do Milho), Cemitério Maldito (Cemitério de Bichos), A Vingança do Demônio (O Balseiro), A Bolha Assassina (A Bolha), Halloween – A noite do Terror (Halloween/Dia Das Bruxas), Christine – O carro Assassino (Christine), Lembrança Macabra (Os Oitos Loucos), Espelhos do Medo (Espelhos), e por aí vai… Sejam péssimos ou não (os filmes), recebem títulos ou subtítulos para completar a ideia de que é um filme A-S-S-U-S-T-A-D-O-R! Dava para listar no mínimo uma centena.
Filmes românticos e de drama. Eu não sou muito fã desses gêneros, especialmente o primeiro, por tanto, é complicado lembrar de cabeça alguns títulos ou até pesquisar. Mas temos: A agenda do meu namorado (Pequeno livro negro), Paixões em Nova Iorque (Calçadas de Nova Iorque), À espera de um milagre (A milha verde [milha = a medida de distância]), Um sonho de liberdade (A Redenção de Shawshank), Conta comigo (O Corpo), Harry & Sally – feitos um para o outro (Harry e Sally) – esse último me lembra uma outra categoria de títulos malfeitos: Nome Original + subtítulo nada a ver. Darei exemplos desse tipo mais a frente.
Como disse, não consigo lembrar de tantos filmes assim desses gêneros, mas comece a perceber que eles, em geral, seguem esse padrão: referências a romantismo e referência a coisas tocantes/sensíveis.
Seguindo com os gêneros, prometo ser o último a mencionar especificamente sobre gêneros, temos os filmes de ação. Aqui, vou relacionar filmes de todos os gêneros, sejam mais científicos ficcionais ou mais policiais/urbanos. Reparem que a fórmula continua – ou explicamos o enredo, ou usamos alguma coisa para dar noção de sequências de tirar o fôlego!
Alien – O oitava passageiro (Alien), Os Infiltrados (O Falecido) – basta ver o filme para entender quem é o falecido da estória, mas não! Tem que colocar algo que explique que o filme envolve pessoas infiltradas em ambos os lados. O Plano Perfeito (O infiltrado), Filhos da Esperança (Crianças da Humanidade), As Duas Faces da Lei (Morte Justa/Assassinato Justo), O Vingador do Futuro (Recordação Completa) – esse cai na categoria da “chupinhação” também, pois veio para cá depois de O Exterminador do Futuro (Exterminador) e com o mesmo ator. Temos muitos, mas muitos outros. Poderia ficar listando mais e mais filmes, contudo, prefiro mostrar outro tipo de tradução de títulos muito comum: a com subtítulos inventados.
Bom, esses subtítulos inventados às vezes passam a ideia do filme, às vezes acrescentam o que talvez era pra ser o nome na distribuidora do Brasil (uma “sub-tradução” pro título original). Por exemplo, Sin City – Cidade do Pecado e Shine – Brilhante, encaixam nesse exemplo: ambos possuem seu título original seguido da tradução. Em alguns casos é notável que essa escolha é feita porque tem-se que atrair o fã da obra original (caso do Sin City) para o filme e o Zé Ninguém que nunca ouviu falar. Em outros, talvez o caso de Shine, o filme fica conhecido pelo seu nome original antes de ter uma distribuição aqui no país, e aí, opta-se por usar o nome original + tradução. O que me intriga é porque não optar simplesmente pela tradução, já que nesses casos elas são fiéis e boas.
Outro tipo comum é a invenção dos subtítulos. Como mencionado no início, Rebobine, por favor, tem um subtítulo adicionado simplesmente pela ação de se adicionar um subtítulo. O que “uma locadora muito louca” acrescenta de positivo ao título do filme aqui no Brasil? Nada. Mais recentemente temos Suckerpunch – Mundo Surreal. Eu não tenho a mínima vontade de ver filmes do Zack Snyder, mas precisava MESMO de acrescentar esse subtítulo? Sucker punch é uma gíria. Que tal procurar essa gíria e ver se existe algo equivalente em nossa língua?
Eu aceito que em alguns casos, como de Snatch, é difícil achar um termo em português. Então, opte pela criação de um outro título, e não Snatch – Porcos e Diamantes. Um bom exemplo disso é Jogos Mortais. Apesar de cair no “colocar coisa que reflita dor/morte/sofrimento no titulo de um filme de horror”, o nome original funciona muito bem em inglês, mas não funcionaria se traduzissem. Explico: Saw pode ser “serrote” ou “observado, visto”. E esse jogo de palavras faz total sentido em inglês, e seria perdido numa tradução. Agora, Rock’n'Rola – A Grande Roubada e Sideways – Entre umas e outras não merecem crédito algum. Arranjassem outro título, por favor. O trocadalho de “roubada” como “assalto” ou “entrar numa roubada” é péssimo, e o segundo nem merece comentário – porque é um filme onde dois amigos viajam pelas vinícolas da Califórnia, acharam por bem fazer uma referência/trocadilho com o tema do filme.
Outro exemplo de títulos inventado, nesse caso em um filme sem um gênero muito definido, é Anti-Herói Americano (Esplendor Americano). Nunca vou entender muito bem esse título, afinal, mesmo que para quem não sabe que o título original faz referência a revista que o protagonista escrevia, é um título muito bacana que reflete com certa ironia o tom do filme.
Eu poderia continuar a falar e listar títulos e fórmulas de traduções sem sentido, mas acho que vale mais o questionamento do porque essa abordagem. É fato que muita gente não tem tanta cultura assim (seja de da classe A+ ou da F-) e precisa ter tudo mastigado, porém, creio que algumas decisões para títulos são péssimas. Será que realmente o grafismo, a capa e o enredo mostrado na contra capa/trailer não são suficientes para mostrar para as pessoas que um filme é uma comédia? Tem-se que colocar um título com “coisa negativa” se for um filme de terror? Esse é o grande problema que tentei passar aqui: a tentativa de se explicar o filme todo com o título. Isso é tão grave, que chega a causar situações muito constrangedoras, como comentei com “The Hangover” e “Hottube Time machine”.
E em termos de franquias isso é pior ainda. Meet the Parents (Conheça os Pais/Sogros) chama Entrando numa Fria aqui. A continuação chama Meet The Fockers (Conheça os Fockers) e aqui Entrando numa Fria maior ainda. E aí que o mais recente da franquia chama Little Fockers (Pequenos Fockers), mas aqui é Entrando numa fria maior ainda com a família. E se surgir um quarto filme? Focker Pets? Vai chamar Entrando numa fria maior ainda com a família e agora com os animais de estimação?
Claro, existem ótimas traduções de títulos em português. Acredito serem a maioria, e espero estar certo. Mas é impressionante ver como existem péssimos hábitos na tradução dos títulos pelas distribuidoras brasileiras. Observo que os bons títulos, em sua maioria, fazem traduções fiéis dos originais, ou tentam algo bem próximo quando não é possível ser fiel. Porque não ter sempre essa abordagem? Por fim, peço que se alguém souber a real razão, comente. Se tiver mais exemplos, diga lá também.
Até mais.
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