• A odisséia de comprar quadrinhos no Brasil

    por ricardo em May 29, 2010

    Sabemos de uma coisa: se você é uma pessoa interessada em histórias em quadrinhos que fujam do óbvio – superheróis e autores consagrados no Brasil – você está perdido. Tudo bem, a coisa tem melhorado, mas ainda está longe de ser bom. É raro vermos autores desconhecidos dos brasileiros serem publicados, ou mesmo obras menos famosas dos grandes escritores. E a culpa é somente das editoras? A culpa é do mercado? A culpa é de tudo isso junto e muito mais. Contudo, não pretendo dissecar os possíveis problemas envolvendo as publicações de quadrinhos no cenário atual, mas focar no fato da compra em si.

    Um ator pouco conhecido aqui no Brasil – talvez nem tão pouco assim – é Daniel Clowes.

    Daniel Clowes

     

    Dentre suas obras a mias famosa é sem dúvidas a Ghost World. Ghost World recebeu uma adaptação para o cinema a quase dez anos atrás, concorreu ao Oscar de melhor roteiro adaptado, e perdeu para o Um Mente Brilhante. Sim. Ele foi um dos companheiros de derrota junto com o Senhor dos Anéis naquele ano. E Ghost World foi publicado aqui? Até onde eu sei não. Contudo, Como uma luva de veludo moldada em ferro foi traduzido e publicado pela Conrad. Não que ela seja pior que Ghost World, muito pelo contrário, ela é muito interessante ao seu modo. Só  que depois dela não vi mais nada do Daniel Clowes sendo publicado aqui no Brasil. Então só restam as originais, publicadas fora do país. Isso pode não ser um problema pra mim, mas quantas pessoas realmente dominam o inglês (ou até mesmo outra língua) e podem, ao  ter contato com essas obras,  captarem todas as nuânceas da língua pátria que montam todo o cenário da obra? Não apenas isso, mas dentre essas quantas podem comprar fora do país? Se elas não podem comprar vão recorrer à pirataria, aliás, como muitos fazem com quadrinhos populares? E quantas pessoas pirateiam Daniel Clowes? Mas estou à divagar…

    Se escolhermos a primeira opção de contato com essas obras não publicadas aqui, teremos três possibilidades de acesso a elas: “traz pra mim!”, “me manda pelo correio” e lojas onlines. Já tive acesso a quadrinhos por essas três vias, mas claro, a última é a mais usual e nunca tive problemas até então. E realmente, comprar online oferece a oportunidade de entrar em contato com a obra de artistas que dificilmente teriamos contato diretamente aqui no Brasil. E isso realmente é muito bom. Até que você tenha algum inconveniente, como grandes atrasos ou problemas com a mercadoria.

    Recentemente comprei uma coletânea de estórias do Daniel Clowes para mim e outra para uma amiga. E ainda pedi junto o suporte de livro autografado a mão pelo Daniel Clowes que estava sendo distribuído juntamente com essa obra. E após um atraso enorme na entrega, algo em torno de 24 dias (ao todo foram 48 dias de espera), a obra finalmente chegou. Obviamente durante a espera entrei em contato com a loja para avisá-los do atraso. E prontamente fui respondido que o atraso para encomendas no Brasil era algo comum, então, eu deveria esperar mais um pouco. Além disso eu poderia ter meu dinheiro devolta, pois, enviar uma nova encomenda estava fora de cogitação, já que era possível que a ela ou se perdesse como a primeira ou as duas chegassem. E esses problemas acontecem  especificamente para o Brasil. Seria algo com a empresa responsável pelo translado Seatle > Brasil? Seria algo na nossa alfândega? Acho que nem especular dá. O que sei é que esse tipo de problema com atrasos e às vezes até estravio é bem comum com outras lojas também.

    Mas não acabou: outro problema que ocorreu com essa encomenda foi que ela veio errada. Veio faltando uma das edições e não vieram os suportes (mas isso estava escrrito no site, que talvez não existissem mais suportes na data de envio. Okay. Aceitável.). O pedido levou 27 dias para ser entregue. Exatamente a mesma transportadora, a mesma loja, o mesmo endereço de entrega. Mas fica aquela sensação de que se elas tivessem sido compradas na loja aqui perto de casa, ou numa distribuidora nacional, nada disso teria acontecido, ou pelo menos os problemas com atrasos e erros teriam sido resolvidos em tempo bem mais hábil.

    Esses pequenos problemas, mas que irritam muito, não fazem com que eu deixe de querer comprar mais hqs que não temos publicadas aqui. Mas fazem com que eu queira mais ainda que as editoras brasileiras deem atenção às editoras menores e aos autores não tão conhecidos aqui no país. Há muito o que ser falado sobre esse assunto – publicação, compra, venda, etc – e claro que não abordo nem um décimo do que há para ser dito sobre isso nesse pequeno artigo. Até uma próxima!

    PS.: nunca lembro a editora que publicou o TP do Fell aqui no Brasil, mas parabéns! Já havia lido a obra original pelas edições avulsas, mas não esperava ver nem sinal dela aqui no país. E EU SEI que Fell já não é nenhuma novidade – nem a edição nacional. Tenho que dar o parabéns, também, à Cia. das Letras por ter trazido Umbigo sem fundo e Jimmy Corrigan (apesar de eu possuir o original).

     

    Uma resposta para “A odisséia de comprar quadrinhos no Brasil”

  • Daniel

    peguei emprestado o “Como uma luva de veludo moldada em ferro”, porem nao terminei de ler, pois o sujeito q me emprestou tava querendo de volta para ontem (provavelmente se arrependeu de emprestar e quis de volta, pois o material estava comigo a apenas 2 dias)… acabei nao comprando, pois na epoca jah estava gastando muito com hqs e por nao ser um material q tenha despertado tanto o meu interesse (preferi pegar o local, leoes de bagda e os walking deads).

    dificl mesmo a situaçao das importaçoes no pais, porem posso dizer q a sua encomenda nem demorou tanto dado o cenario atual. nas 3 ultimas vezes que comprei no exterior houve demora de 6 MESES para entregar o produto… 6 MESES!!!! taxaçao arbitraria da receita federal elevendo a minha compra de R$ 180,00 para R$ 515,00 sem qualquer justificativa e por fim, embalagem totalmente distruida (passaram a faca no pacote e colaram um fita adesiva por cima dos rasgos.
    logicamente os meus problemas nao tornam os seus menores. todos deveriam receber seus produtos em prazo habil, porem isto eh impossivel na atual politica alfandegaria nacional, como bem sabem todas as lojas online gringas (muitas nem se dispoem a enviar ao brasil ou o fazem a um preço absurdo para que valha a pena).

    quem publicou fell aki no brasil foi a landscape, porem nunca mais deu sinal de que vai continuar investindo em hqs.
    jimmy corrigan, umbigo e retalhos sao do selo quadrinhos na cia da cia das letras.

    valeu pelo texto.

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